A Serra mineira que entoa o Magnificat

Meu espírito — e meus pés sujos do vermelhão dos caminhos de Minas — engrandecem o Menino Deus no colo de sua santa Mãe. O espírito O louva nas orações ditas no silêncio das varandas, nas tardes vaporosas que cheiram ao fumo dos mais velhos; os pés, ao subir e descer as montanhas onde moro,…

Transfiguração da Amada

Seus olhos, espelhos de paz, não buscavam promessas nem amores fugidios. Neles, como luzeiros da noite — guardiões do amor entre o Amado e a Amada do Cântico — dançava a cotovia da esperança Se a tivesses visto, irmão, como eu a vi na calma da manhã, louvarias o meu destino por tê-la contemplado ao…

A Mulher Vestida de Aurora

Entre as nuvens, o véu dela se abre, e eu não sei se o que vejo é uma rosa ou uma guerreira virgem e bela saída dos sonhos de Ariosto e de Tasso. A resposta não cabe em mim, e por isso não ouso perscrutar por muito tempo; permaneço no silêncio dos mártires diante da…

No Jardim do Teu Silêncio

I No jardim do teu silêncio procurei-te, ó Senhora — Doce Fogo, cuja chama suaviza a dor. O leve perfume do teu véu, terno como o vento, consumiu-me os desejos e purificou o pensamento. II Tu, Virgem da Chama que jamais se extingue, ardeis no coração de Deus, que a tudo inflama. És sol contido,…