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Natal em Glória: O Sol que se Levanta do Corpo da Virgem

11 de dezembro de 2025

I

No ventre a Virgem sente o Deus em luz ardente e plena;

e o mundo ignora o mar de glória que em seu corpo acena;

no útero escuro o Menino em ondas lentas se ergue,

lembrando o abismo azul do Gênesis que o Espírito serve.

II

Agora o inverso ocorre: envolto em águas, Ele brilha,

e a gênese retorna em véus de aurora e pura vigília;

a criação ressurge inteira na carne que o recebe,

e o Deus que fez o mar repete o gesto em paz que se percebe.

III

Maria acolhe Aquele que formou o céu e o firmamento,

e agora o gera em carne viva, em véu de puro nascimento;

seu útero guarda Aquele que traz as galáxias na mão,

e cada ardor desperta nela um fogo em súbita combustão.

IV

Cada sol explode nela em chamas que a alma toda inflama,

marcando em cada célula a memória eterna que a reclama;

e tudo quanto Ele criou retorna nela em luz febril,

pois sente o Deus dos mundos vivo e oculto em corpo sutil.

V

Exausta acorda, mas sustém divina luz em novo ardor;

José contempla a dor que nela verte e vira esplendor;

e vê no rosto dela um leve tremor santo e recolhido,

que toca o horror e o maravilhar, depois retorna ao sentido.

VI

Ao recolher as roupas simples sob o vento indo e vindo,

seu rosto guarda um brilho imenso em calmo lume infindo;

José percebia ali grandeza além dos mitos dos romanos,

e a antiga simplicidade inscrita em suas mãos humanas.

VII

Pois viu na esposa a criação pulsar em chama repentina,

um coro de potências vivas moldando a forma que ilumina;

nem Moisés no monte viu visão tão forte e luminosa,

pois nela o Criador refez seis dias em glória radiosa.

VIII

Seis sóis ardem silenciosos dentro do corpo materno,

seis dias refletidos nela em força calma e brilho eterno;

no ventre vibra o gesto antigo do Deus que tudo inicia,

e a criação inteira canta em íntima, oculta sinfonia.

IX

O Deus que pairou no Gênesis sobre as águas primeiras

agora se deixa formar nelas, em ondas vivas e verdadeiras;

e ali se encarna o Amor em carne acesa e transparente,

e o Infinito estreita o tempo no ventre resplandecente.

X

Um universo inteiro pulsa em sua carne iluminada,

e no silêncio de Maria a eternidade é revelada;

as águas antigas unem-se ao sangue terno de mulher,

e o Deus que fez o mundo nasce agora em novo ser.

 

XI

Sem pai terreno, herdou da Mãe a força santa de sua carne,

substância imaculada e pura que nenhum mal toca ou fere;

do Pai herdou o Espírito em chama ardente que o inflama,

e da pequena Virgem veio a carne humilde que o proclama.

XII

Sua carne humana é força antiga, dócil, pura e verdadeira,

e o dom materno ressoa nele na vida inteira;

o Pai invisível acende o Fogo que ao Filho se entrega,

e a Mãe lhe dá o corpo onde a divindade inteira se integra.

XIII

Se mil galáxias tremem diante do Autor supremo,

e o cosmos falha em conter o Seu fulgor extremo,

como entender que a filha humilde de Israel, tão singela,

guardasse o Fogo eterno em luz maior que a da estrela?

XIV

Colhendo hortelãs e cominho sob a brisa de Nazaré,

erguendo o rosto ao sol num gesto simples de quem crê,

tornou-se a flor que rompe o inverno em silencioso janeiro,

guardando no ventre o Deus dos mundos, o Criador primeiro.